8 de outubro de 1900
Neste dia nascia na fazenda Niagara em
Leopoldina Minas Gerais, Erico Ribeiro Junqueira, filho primogênito de Antônio
Monteiro Ribeiro Junqueira e Alice Arantes Ribeiro Junqueira de um total de nove
irmãos. Tetraneto do Barão de Alfenas, Erico dedicaria sua vida à criação
de cavalos da raça de cavalos iniciada por seu tetravô, o Barão de Alfenas. A
fazenda Abaíba foi o cenário de sua criação, e foi palco da formação da
linhagem Abaíba, um dos pilares desta raça, a Mangalarga Marchador.
Leia
em breve aqui os Detalhes da História passo a passo da Formação e Criação da Linhagem
Abaíba.
A seguir fazemos
um relato em relação a importantes pontos da criação.
A
Apuração Genética feita durante mais de um século de criação
Os cuidadosos cruzamentos consangüíneos utilizados na Abaíba
foram cruciais no melhoramento e evolução dos animais. A fortificação
das características desejadas comuns dos animais por ela gerada através
de cruzamentos dirigidos, seguida sempre da seleção dos melhores
animais, implicou em uma apuração genética e aumento da prepotência e
qualidades do rebanho. Certamente o poder de transmissão destas
qualidades foi elevado e é uma característica fundamental dos animais
Abaíba. Mas um passo importante neste processo foi e continua sendo o
refrescamento ou lapidação. Nele é introduzido um animal com características
diferentes que visem completar as características desejadas de um
rebanho. Se for realizada entre dois animais consangüíneos mas não
entre si, tenderá a transmitir ainda mais a boa descendência conseguida.
Um exemplo deste trabalho está no Abaíba
Gim que nasceu da utilização de Ariano Bela Cruz em égua Abaíba e
vários outros choques de sangue durante os cruzamentos consangüíneos e
a evolução do plantel, foram feitos como a utilização de Predileto
Velho nos anos 20. Em 1938, mais de dez anos antes da fundação da
associação Brasileira de Mangalarga, chegava na Abaíba por empréstimo
para passar três meses e cobrir as éguas o garanhão Árabe Loun. Antes
dele teriam passado por lá dois outros garanhões com sangue Árabe que
praticamente não deixaram descendentes. Oque “dizem” da
utilização de Loun na Abaíba é de conhecimento público e
principalmente, de qualquer bom conhecedor da história do cavalo
Mangalarga Marchador e foi matéria da tese do Dr. Maurício Ribeiro Gomes
que teve livre acesso aos livros e informações de cruzamentos realizados
na Abaíba. Loun assim foi descrito pelo próprio Dr. Maurício:
“Loun – puro sangue Árabe. Importado. Acredita-se talvez tenha
sido o melhor, ou um dos melhores garanhões Árabes importados para o
Brasil. Era muito bem proporcionado e dotado de beleza invulgar. Este
garanhão foi cedido à fazenda Abaíba, por empréstimo,...
A sua descendência era excelente: animais muito bem conformados e
proporcionados, possuidores de grande beleza. Dentre os seus descendentes,
a égua Abaíba Haia sua neta, passou a integrar o rebanho, devido às
suas ótimas qualidades.
... Em dezembro de 1957 existiam no rebanho de 33 animais, uma égua
com ¼ de sangue de Loun: Abaíba Haia, três com 1/8 filhos de Abaíba
Haia, e dois com 1/16 netos de Abaíba Haia. “
Praticamente só deram continuidade a reprodução com sangue Árabe
do magnífico Loun animais descendentes de Abaíba Haia. Dentre seus
descendentes temos os famosos Abaíba Valsa (1/8), Abaíba Danúbio (1/8),
Abaíba Índia (1/16), Abaíba Jurema (1/16), Abaíba QuoVadis (1/32), Abaíba
Quimera (1/32), Abaíba Veneza
(1/32), Abaíba Remo (1/32). Estes são
apenas alguns dos descendentes de Abaíba Haia, para maiores informações
entrar em contato. Vale lembrar que Veneza com 1/32 de sangue árabe era
considerada um dos melhores andamentos da Abaíba e somente quem a
conheceu poderá ratificar a excepcionalidade desta matriz. E certamente o
pouco que restou de Loun, graças à excepcionalidade deste cavalo e aos
critérios de seleção empregados foi importante na constituição da
linhagem Abaíba e na formação da raça Mangalarga Marchador. Junto com
os outros seis criatórios considerados pilares da raça a Abaíba
contribuiu fundamentalmente para o grande crescimento e a expansão
nacional da raça que se deu nos anos 80.
A
Filosofia de Criação da Abaíba
Certamente
todo o processo de criação e seleção feito por Erico Ribeiro Junqueira
era guiado por um princípio e tinha objetivos definidos. Nosso mestre
desenvolveu um conhecimento extremo dos eqüinos, e com sua própria
habilidade ele mantinha contato direto com seu rebanho. A partir deste
conhecimento específico e de seus objetivos era possível traçar os critérios
de seleção e de cruzamentos. Tamanha era a eficiência do modelo de criação
e seleção utilizado na Abaíba que era executado e dirigido diretamente
pelo criador que morava na fazenda e tinha conhecimento absoluto de seus
animais sendo sensível aos mínimos detalhes por estes possuídos e às mínimas
alterações na criação ocorridas. Além disto Erico quase todos os dias
costumava ir à cidade de Leopoldina para tratar de negócios à cavalo,
montando na ida cerca de 21 kms deixando seu cavalo preso enquanto
resolvia seus afazeres, voltando mais 21kms de marcha novamente até a
fazenda Abaíba. A necessidade de animais de boa comodidade e bom
rendimento de andamento e resistente a longa distâncias contribuiu para o
aprimoramento da seleção dos animais. Além de andamento e resistência
Erico exigia fundamentalmente um padrão morfológico e beleza em seus
animais. A filosofia de criação da Abaíba e o critério de seleção de
Erico Ribeiro Junqueira era caracterizado pela busca contínua de um padrão
inquestionável, uma beleza incomum e um andamento cômodo e resistente
que não desperdiçasse movimento e com isso tivesse um ótimo rendimento.
A criação na Abaíba refletia a própria filosofia de vida de Erico
Ribeiro Junqueira e a assim chamada filosofia de criação da Abaíba,
espelhava uma idealização que convivia em todas os locais da fazenda
desde a organização do escritório até as cocheiras dos Animais. A
beleza tão presente nesta filosofia de criação não se resumia a beleza
física e além desta faziam parte do conceito beleza, o comportamento dos
animais, a postura, o vigor, a inteligência e outras características de
temperamento que influenciavam na relação entre homem e cavalo. A
inteligência era por ele considerada fundamental, pois somente através
dela poderia se realizar uma perfeita integração e maior evolução
nesta relação cavalo-cavaleiro.
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